A viagem foi fantástica!
Há muito para contar e, por isso, decidi escrever uns mails, por temas, que contem as nossas peripécias.
A 1ª viagem
A partida para a aventura e a descoberta de outros povos "indígenas" sofreu uma pequena escala em São Paulo, antes do destino final, durante a qual o insólito aconteceu. Estávamos já refastelados no avião quando ouvimos a voz de uma aeromoça (hospedeira) a avisar que os senhores passageiros estrangeiros tinham que ir preencher uns documentos de emigração à Polícia Federal. "Pedimos desculpas pelo sucedido", e dito isto, os condenados (como nós) que levantaram as mãos, inconscientes do pecado cometido, lá tiveram que a seguir e dar a volta completa ao aeroporto e sair, para de seguida voltar a entrar e efectuar o referido procedimento. Burocracias que nos custaram mais de uma hora de atraso e deixaram os restantes passageiros à beira de um ataque de nervos.
Quase três horas após este incidente, sobrevoámos a capital da Argentina, Buenos Aires (BA), terra que assistiu ao despoletar de grandes estrelas, como Maradona, Eva Perón e Che Guevara.
Tal como o Rio de Janeiro, BA é uma cidade colossal (a 2ª maior da América do Sul), mas desmarca-se daquela pela escrupulosa organização urbana e geométrica (cada quadra tem 100 metros e 100 números de casas, nem mais nem menos), pela maior segurança e pela incrível semelhança com a "velha" Europa. De facto, Buenos Aires poderia ser a capital de qualquer país europeu, sem nada lhe ficar a dever.
A metrópole é formada por quase cinquenta bairros, cada um deles com uma alma e características próprias, que recriam um ambiente único e digno de se ver.
As pousadas de juventude (hostels)
Foram três as pousadas que nos acolheram, duas em BA (ambas no boémio bairro de San Telmo) e uma em Montevideo.
A primeira, apropriadamente designada por "End of the world", foi escolhida por figurar no primeiro lugar da lista das mais baratas. Em obras, com os computadores fora de serviço (que ficaram eternamente à espera do "Amanhã…" em que seriam ligados), quarto mínimo onde mal cabiam os dois beliches claustrofóbicos, um corredor escandalosamente arejado por uma entrada ao ar livre no prédio, que fazia a comunicação com a casa de banho limpa há quinzenas atrás e para a qual nos ofereceram toalhas escurecidas por usos anteriores duvidosos...
O pequeno-almoço, supostamente gratuito, foi das primeiras coisas que rapidamente acabou por ser excluída: a louça nauseabunda apodrecia nas bancas da cozinha e havia apenas uma faca, utilizada vezes sem conta, para espalhar manteiga recessa e doce. Além disso, a laboriosa refeição realizava-se num parapeito submerso em pó e perigosamente rodeado por paredes pintadas de fresco.
Mas desengane-se quem pensa que não podia piorar (1ªLei de Murphy – tudo pode piorar). Os inquilinos, provavelmente acérrimos defensores do slogan "a água no planeta está a acabar", mostravam orgulhosamente um cabelo formado por grumos bem oleados. Uma das raparigas foi extremamente simpática com o Nuno e após dois minutos de conversa, chegou mesmo a convidá-lo encarecidamente para ter um diálogo privado nos seus aposentos. Ele escapou-se estrategicamente da teia. A cereja no topo do bolo, certamente bolorento, foi quando um deles nos aconselhou a ir à discoteca "Amerika". "Muito boa e com boa música", incitou-nos.
Uma das atracções de BA é a noite e, sendo assim, aceitámos a sugestão. Depois de termos pago uma quantia razoável, vagueámos pelo recinto e aos poucos e poucos fomo-nos apercebendo de que algo de estranho se estava a passar. Em bom portuense, diria, uma cambada de paneleiros da pior espécie, incluindo "raparigos", preenchia a discoteca e bamboleava-se ao som da música com todos os trejeitos possíveis e imaginários. Rimo-nos a valer e muito mais quando, ao passarmos por uma zona propositadamente escurecida, o João disse, escandalizado, "Tentaram apalpar-me!". Foi a gota de água para a estadia nesse hostel!
A segunda (e melhor das três), foi aquela em que pernoitamos em Montevideo, capital do Uruguai. O "Red hostel" tinha quartos espaçosos, sala com sofás e lareira acolhedora, vários computadores com net, leitor de dvds e um pequeno-almoço completo. Com chuvadas torrenciais e à falta de melhor para fazer na cidade, foi aí que passámos uma boa parte do tempo. Ah, a companhia era bem mais asseada e discreta.
De volta a BA, percorremos o bairro de San Telmo, desta vez à procura de um hostel que não nos induzisse à repulsa. "Nomade I" cumpria os requisitos mínimos e tinha uma localização favorável. Além do mais, os bolos e pães que, propositadamente, sobravam do pequeno-almoço, alimentavam a nossa fome e ego ao final da jornada.
Carlos
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